quarta-feira, 18 de novembro de 2009

A LUZ DO AMOR!


Não existe a hora certa para o amor. Toda hora é de amar, quando existe a pessoa certa.

A pessoa certa pode ser jovem demais para assumir compromisso; pode estar magoada de um amor recém-terminado; pode estar triste; sem tempo; com vergonha de seu corpo; de luto; com dividas...
E se com todas essas dificuldades, ainda assim, o Amor acontecer é amor mesmo. Mas se o amor só acontecer no plano dos sentimentos e ser vivido só como intenção, que é bonita, dá ótimas histórias, ele não nos completa e agrega.
Somente se a relação chegar a acontecer na realidade de vivida aí sim é porque sim é Amor.
Do contrário é só brincar-de-amar. Da ótimos livros e filmes, mas não aquece no inverno, não arrepia a pele, não consola nas horas difíceis e nem ri dos momentos alegres.
Vivemos sempre fases criticas, num maior ou menor grau. E se nossas dores forem suficientes para impedir a união, é porque podia até ser a pessoa certa, mas não era amor, era só afinidade, conveniência, carência, tédio ou vergonha, perante o grupo, de se estar sozinho.
O Amor faz de duas pessoas, seja na amizade, no namoro, na família, ou mesmo numa sociedade ou parceria, as pessoas certas uma para a outra . Refiro-me ao amor de todas as natureza. O amor que chega e também o amor antigo: Aqueles amores que já nasceram e que a cada instante de vida pede o oxigênio do companheirismo, da tolerância e do dialogo para persistir.
A hora de amar é quando duas pessoas estão dispostas para viver um amor a dois.
A hora de amar é sempre. E quando estamos dispostos a viver nossa plenitude que é mesmo no "som e fúria da vida" onde fazemos ter o significado que nós queremos e decidimos para ela.

Foto e Texto de: Wanderson Silva de Souza




quarta-feira, 11 de novembro de 2009

AS MENTES



Os corações pedem água
mentalidades ciganas
as proteínas sintetizadas
são indícios de esperança

Ah, esse amor cigano
convida a Humanidade
para dançar sambas de bardos loucos
pique esconde e amores repentinos


Lona, lona
as saias rodopiam na roda gigante
a vida é um empréstimo
dançar a delicadeza da vida


Cigana, A vida é um empréstimo
Esse circo eu já vi
as vestes do palhaço, cintilantes e coloridas
a cada riso, seu coração vai à lona

Assinado: Wanderson Silva de Souza



VERBO MILITANTE DE GIBI

"... que vai mudar o mundo com seus moinhos de vento."

E... quem tem coragem de ouvir a si mesmo.
"Todo mundo é parecido quando sente dor."
É... mas alguns sentem com menos egoísmo e mais dignidade.
Difícil é não se tornar amargo, "... mas sorrir o tempo todo é desespero."
É, entonces, ficar aí reclamando, aos brados de que "o mundo esta errado, e o "ser humano é mau, feio, bobo e tem cara de mamão..."
Mas... a Força para mudar, a cada instante, a Revolução que fazemos em casa, no condomínio, em nossas mentes e corações.
E... a cada grosseria ou... quando muitos por estarem descrentes de que as coisas podem dar certo também, dizem com prazer para outro que "seus sonhos são bobos, abrace o niilismo, nossa única esperança é a depressão como estilo de vida" Essa ideologia que se adota quando em fases nebulosas...
E... quando uma senhora senta-se ao seu lado, no ônibus, reclamando que esta rodando a cidade inteira para resolver pendências burocráticas da casa do marido que se foi... o que você diz? Que a burocracia é horrível e a convida para entrar no "Partidão" ou ir para algum monumento de pedra para cultuar alguma divindade da terra ? E quando alguém na fila do banco reclama de dor nas costas, vc diz que ela tem razão e vai sofrer pela eternidade?
O que é Revolucionar, senão um vir-a-ser humano que chora e se levanta e ajuda outros a se levantarem, ou é mais fácil fazer escárnio dessas minhas ponderações Rotulando-as de "artigo polianesco"???
Não se trata de fazer o Jogo do Contente”, mas SIM deixar essa palhaçada de bancar o ZANGADO que isso não resolve nada e só arrasta-nos mais ainda e outros juntos para o poço do conformismo, do derrotismo e do despotismo. Despotismo sim, porque alguns chegam a ser déspotas na sua firmeza em defender seu ponto de vista de que todas as DERROTAS já estão traçadas nas estrelas ou são culpa das OToridades OpreÇoras e Toda-poderosas.
E outros se arrogam ser salvadores, aqueles que vão “abrir” ou nossas mentes para o caminho político ideal ou nossos corações para o caminho teológico ideal.
Ah, AÇÃO, AMIGOS E AMIGAS, É AGIR NA HORA, NO LUGAR CERTO E QUANDO FOR PRECISO. Ou é mais cômodo e charmoso posar de “Chê e Gandhi de Butique”, com direito a boina ou a bata. Mas isso só na pose??? POSE!!! Poser... (risos)
Menos reuniões deliberativas e mais Ações afirmativas SIM.
Porque há horas em que precisam que sejamos heróis, E VAMOS SIM SALVAR O MUNDO!
Há outros nos comportamos como VILÕES, nos momentos em que estamos errados e insistimos em defender nossos equívocos,E PRECISAMOS SER COMBATIDOS!!
E sempre teremos nossa horas de VITÍMAS E AÍ DE NÓS SE ALGUEM NÃO NOS SALVAR!!!
Ideologias são frias e fracas quando só ficam só nos poemas de coitadinhos, nos panfletos ferozes, nas epistolas duras e noticiários lacrimosos.

Me despeço com um “Amém” ou um “hasta la vitoria”, conforme a crença do freguês, he, he...

Assinado: Wanderson Silva de Souza

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Wan & Din - The Quadrinistas (Autosatira de Wanderson e Dimas) O Fim!???

Wan & Din, Los Quadrinistas del Brasil


Wan & Din - Os Quadrinistas (Antepenúltima tiras)


VIXENTALPANGÁH

Estou escrevendo
poemas quentes e suados
eu sou um corpo gordo
...gordo e guapo!
VIXENTALPANGÁH!

Eu sou a BOCA!
... e como BOCA
te como e te devoro!
VIXENTALPANGÁH!!

Eu não dou valor a um cachorro quente
menos do que ao sexo...
Sou a BOCA que Come, Beija, Morde, Fala e Cospe!
VIXENTALPANGÁH!!! 



Poetações do Wandervir

Contos de Baixo UERJ


Clarice, A Moça Serena, A inspiração e Eu.

"Às vezes não aguento a força da inspiração. Então pinto abafado. É tão bom que as coisas não dependam de mim. "
“Oh, como tudo é incerto. E no entanto dentro da Ordem.”

“E eu trabalho enquanto durmo: Porque é então que me movo no mistério.”
(De Clarice Lispector, três trechos extraídos do livro "Água Viva")

O desenho foi eu mesmo que fiz e chama-se "Moça Serena".

ENTREVISTA: ERIC HOBSBAWM sobre "A crise do capitalismo e a importância atual de Marx"

Em entrevista a Marcello Musto, o historiador Eric Hobsbawm analisa a atualidade da obra de Marx e o renovado interesse que vem despertando nos últimos anos, mais ainda agora após a nova crise de Wall Street. E fala sobre a necessidade de voltar a ler o pensador alemão: "Marx não regressará como uma inspiração política para a esquerda até que se compreenda que seus escritos não devem ser tratados como programas políticos, mas sim como um caminho para entender a natureza do desenvolvimento capitalista".


Marcello Musto - Sin Permiso
Data: 29/09/2008

Eric Hobsbawm é considerado um dos maiores historiadores vivos. É presidente do Birbeck College (London University) e professor emérito da New School for Social Research (Nova Iorque). Entre suas muitas obras, encontra-se a trilogia acerca do "longo século XIX": "A Era da Revolução: Europa 1789-1848" (1962); "A Era do Capital: 1848-1874" (1975); "A Era do Império: 1875-1914 (1987) e o livro "A Era dos Extremos: o breve século XX, 1914-1991 (1994), todos traduzidos em vários idiomas.

Entrevistamos o historiador por ocasião da publicação do livro "Karl Marx's Grundrisse. Foundations of the Critique of Political Economy 150 Years Later" (Os Manuscritos de Karl Marx. Elementos fundamentais para a Crítica da Economia Política, 150 anos depois).
Nesta conversa, abordamos o renovado interesse que os escritos de Marx vêm despertando nos últimos anos e mais ainda agora após a nova crise de Wall Street. Nosso colaborador Marcello Musto entrevistou Hobsbawm para Sin Permiso.

Marcello Musto: Professor Hobsbawm, duas décadas depois de 1989, quando foi apressadamente relegado ao esquecimento, Karl Marx regressou ao centro das atenções. Livre do papel de intrumentum regni que lhe foi atribuído na União Soviética e das ataduras do "marxismo-leninismo", não só tem recebido atenção intelectual pela nova publicação de sua obra, como também tem sido objeto de crescente interesse. Em 2003, a revista francesa Nouvel Observateur dedicou um número especial a Marx, com um título provocador: "O pensador do terceiro milênio?". Um ano depois, na Alemanha, em uma pesquisa organizada pela companhia de televisão ZDF para estabelecer quem eram os alemães mais importantes de todos os tempos, mais de 500 mil espectadores votaram em Karl Marx, que obteve o terceiro lugar na classificação geral e o primeiro na categoria de "relevância atual".

Em 2005, o semanário alemão Der Spiegel publicou uma matéria especial que tinha como título "Ein Gespenst Kehrt zurük" (A volta de um espectro), enquanto os ouvintes do programa "In Our Time" da rádio 4, da BBC, votavam em Marx como o maior filósofo de todos os tempos. Em uma conversa com Jacques Attali, recentemente publicada, você disse que, paradoxalmente, "são os capitalistas, mais que outros, que estão redescobrindo Marx" e falou também de seu assombro ao ouvir da boca do homem de negócios e político liberal, George Soros, a seguinte frase: "Ando lendo Marx e há muitas coisas interessantes no que ele diz". Ainda que seja débil e mesmo vago, quais são as razões para esse renascimento de Marx? É possível que sua obra seja considerada como de interesse só de especialistas e intelectuais, para ser apresentada em cursos universitários como um grande clássico do pensamento moderno que não deveria ser esquecido? Ou poderá surgir no futuro uma nova "demanda de Marx", do ponto de vista político?

Eric Hobsbawm: Há um indiscutível renascimento do interesse público por Marx no mundo capitalista, com exceção, provavelmente, dos novos membros da União Européia, do leste europeu. Este renascimento foi provavelmente acelerado pelo fato de que o 150° aniversário da publicação do Manifesto Comunista coincidiu com uma crise econômica internacional particularmente dramática em um período de uma ultra-rápida globalização do livre-mercado.

Marx previu a natureza da economia mundial no início do século XXI, com base na análise da "sociedade burguesa", cento e cinqüenta anos antes. Não é surpreendente que os capitalistas inteligentes, especialmente no setor financeiro globalizado, fiquem impressionados com Marx, já que eles são necessariamente mais conscientes que outros sobre a natureza e as instabilidades da economia capitalista na qual eles operam.

A maioria da esquerda intelectual já não sabe o que fazer com Marx. Ela foi desmoralizada pelo colapso do projeto social-democrata na maioria dos estados do Atlântico Norte, nos anos 1980, e pela conversão massiva dos governos nacionais à ideologia do livre mercado, assim como pelo colapso dos sistemas políticos e econômicos que afirmavam ser inspirados por Marx e Lênin. Os assim chamados "novos movimentos sociais", como o feminismo, tampouco tiveram uma conexão lógica com o anti-capitalismpo (ainda que, individualmente, muitos de seus membros possam estar alinhados com ele) ou questionaram a crença no progresso sem fim do controle humano sobre a natureza que tanto o capitalismo como o socialismo tradicional compartilharam. Ao mesmo tempo, o "proletariado", dividido e diminuído, deixou de ser crível como agente histórico da transformação social preconizada por Marx.

Devemos levar em conta também que, desde 1968, os mais proeminentes movimentos radicais preferiram a ação direta não necessariamente baseada em muitas leituras e análises teóricas. Claro, isso não significa que Marx tenha deixado de ser considerado como um grande clássico e pensador, ainda que, por razões políticas, especialmente em países como França e Itália, que já tiveram poderosos Partidos Comunistas, tenha havido uma apaixonada ofensiva intelectual contra Marx e as análises marxistas, que provavelmente atingiu seu ápice nos anos oitenta e noventa. Há sinais agora de que a água retomará seu nível.

Marcello Musto: Ao longo de sua vida, Marx foi um agudo e incansável investigador, que percebeu e analisou melhor do que ninguém em seu tempo o desenvolvimento do capitalismo em escala mundial. Ele entendeu que o nascimento de uma economia internacional globalizada era inerente ao modo capitalista de produção e previu que este processo geraria não somente o crescimento e prosperidade alardeados por políticos e teóricos liberais, mas também violentos conflitos, crises econômicas e injustiça social generalizada. Na última década, vimos a crise financeira do leste asiático, que começou no verão de 1997; a crise econômica Argentina de 1999-2002 e, sobretudo, a crise dos empréstimos hipotecários que começou nos Estados Unidos em 2006 e agora tornou-se a maior crise financeira do pós-guerra. É correto dizer, então, que o retorno do interesse pela obra de Marx está baseado na crise da sociedade capitalista e na capacidade dele ajudar a explicar as profundas contradições do mundo atual?

Eric Hobsbawm: Se a política da esquerda no futuro será inspirada uma vez mais nas análises de Marx, como ocorreu com os velhos movimentos socialistas e comunistas, isso dependerá do que vai acontecer no mundo capitalista. Isso se aplica não somente a Marx, mas à esquerda considerada como um projeto e uma ideologia política coerente. Posto que, como você diz corretamente, a recuperação do interesse por Marx está consideravelmente – eu diria, principalmente – baseado na atual crise da sociedade capitalista, a perspectiva é mais promissora do que foi nos anos noventa. A atual crise financeira mundial, que pode transformar-se em uma grande depressão econômica nos EUA, dramatiza o fracasso da teologia do livre mercado global descontrolado e obriga, inclusive o governo norte-americano, a escolher ações públicas esquecidas desde os anos trinta.

As pressões políticas já estão debilitando o compromisso dos governos neoliberais em torno de uma globalização descontrolada, ilimitada e desregulada. Em alguns casos, como a China, as vastas desigualdades e injustiças causadas por uma transição geral a uma economia de livre mercado, já coloca problemas importantes para a estabilidade social e mesmo dúvidas nos altos escalões de governo. É claro que qualquer "retorno a Marx" será essencialmente um retorno à análise de Marx sobre o capitalismo e seu lugar na evolução histórica da humanidade – incluindo, sobretudo, suas análises sobre a instabilidade central do desenvolvimento capitalista que procede por meio de crises econômicas auto-geradas com dimensões políticas e sociais. Nenhum marxista poderia acreditar que, como argumentaram os ideólogos neoliberais em 1989, o capitalismo liberal havia triunfado para sempre, que a história tinha chegado ao fim ou que qualquer sistema de relações humanas possa ser definitivo para todo o sempre.

Marcello Musto: Você não acha que, se as forças políticas e intelectuais da esquerda internacional, que se questionam sobre o que poderia ser o socialismo do século XXI, renunciarem às idéias de Marx, estarão perdendo um guia fundamental para o exame e a transformação da realidade atual?

Eric Hobsbawm: Nenhum socialista pode renunciar às idéias de Marx, na medida que sua crença em que o capitalismo deve ser sucedido por outra forma de sociedade está baseada, não na esperança ou na vontade, mas sim em uma análise séria do desenvolvimento histórico, particularmente da era capitalista. Sua previsão de que o capitalismo seria substituído por um sistema administrado ou planejado socialmente parece razoável, ainda que certamente ele tenha subestimado os elementos de mercado que sobreviveriam em algum sistema pós-capitalista.

Considerando que Marx, deliberadamente, absteve-se de especular acerca do futuro, não pode ser responsabilizado pelas formas específicas em que as economias "socialistas" foram organizadas sob o chamado "socialismo realmente existente". Quanto aos objetivos do socialismo, Marx não foi o único pensador que queria uma sociedade sem exploração e alienação, em que os seres humanos pudessem realizar plenamente suas potencialidades, mas foi o que expressou essa idéia com maior força e suas palavras mantêm seu poder de inspiração.

No entanto, Marx não regressará como uma inspiração política para a esquerda até que se compreenda que seus escritos não devem ser tratados como programas políticos, autoritariamente ou de outra maneira, nem como descrições de uma situação real do mundo capitalista de hoje, mas sim como um caminho para entender a natureza do desenvolvimento capitalista. Tampouco podemos ou devemos esquecer que ele não conseguiu realizar uma apresentação bem planejada, coerente e completa de suas idéias, apesar das tentativas de Engels e outros de construir, a partir dos manuscritos de Marx, um volume II e III de "O Capital". Como mostram os "Grundrisse", aliás. Inclusive, um Capital completo teria conformado apenas uma parte do próprio plano original de Marx, talvez excessivamente ambicioso.

Por outro lado, Marx não regressará à esquerda até que a tendência atual entre os ativistas radicais de converter o anti-capitalismo em anti-globalização seja abandonada. A globalização existe e, salvo um colapso da sociedade humana, é irreversível. Marx reconheceu isso como um fato e, como um internacionalista, deu as boas vindas, teoricamente. O que ele criticou e o que nós devemos criticar é o tipo de globalização produzida pelo capitalismo.

Marcello Musto: Um dos escritos de Marx que suscitaram o maior interesse entre os novos leitores e comentadores são os "Grundrisse". Escritos entre 1857 e 1858, os "Grundrisse" são o primeiro rascunho da crítica da economia política de Marx e, portanto, também o trabalho inicial preparatório do Capital, contendo numerosas reflexões sobre temas que Marx não desenvolveu em nenhuma outra parte de sua criação inacabada. Por que, em sua opinião, estes manuscritos da obra de Marx, continuam provocando mais debate que qualquer outro texto, apesar do fato dele tê-los escrito somente para resumir os fundamentos de sua crítica da economia política? Qual é a razão de seu persistente interesse?

Eric Hobsbawm: Desde o meu ponto de vista, os "Grundrisse" provocaram um impacto internacional tão grande na cena marxista intelectual por duas razões relacionadas. Eles permaneceram virtualmente não publicados antes dos anos cinqüenta e, como você diz, contendo uma massa de reflexões sobre assuntos que Marx não desenvolveu em nenhuma outra parte. Não fizeram parte do largamente dogmatizado corpus do marxismo ortodoxo no mundo do socialismo soviético. Mas não podiam simplesmente ser descartados. Puderam, portanto, ser usados por marxistas que queriam criticar ortodoxamente ou ampliar o alcance da análise marxista mediante o apelo a um texto que não podia ser acusado de herético ou anti-marxista. Assim, as edições dos anos setenta e oitenta, antes da queda do Muro de Berlim, seguiram provocando debate, fundamentalmente porque nestes escritos Marx coloca problemas importantes que não foram considerados no "Capital", como por exemplo as questões assinaladas em meu prefácio ao volume de ensaios que você organizou (Karl Marx's Grundrisse. Foundations of the Critique of Political Economy 150 Years Later, editado por M. Musto, Londres-Nueva York, Routledge, 2008).

Marcello Musto: No prefácio deste livro, escrito por vários especialistas internacionais para comemorar o 150° aniversário de sua composição, você escreveu: "Talvez este seja o momento correto para retornar ao estudo dos "Grundrisse", menos constrangidos pelas considerações temporais das políticas de esquerda entre a denúncia de Stalin, feita por Nikita Khruschev, e a queda de Mikhail Gorbachev". Além disso, para destacar o enorme valor deste texto, você diz que os "Grundrisse" "trazem análise e compreensão, por exemplo, da tecnologia, o que leva o tratamento de Marx do capitalismo para além do século XIX, para a era de uma sociedade onde a produção não requer já mão-de-obra massiva, para a era da automatização, do potencial de tempo livre e das transformações do fenômeno da alienação sob tais circunstâncias. Este é o único texto que vai, de alguma maneira, mais além dos próprios indícios do futuro comunista apontados por Marx na "Ideologia Alemã". Em poucas palavras, esse texto tem sido descrito corretamente como o pensamento de Marx em toda sua riqueza. Assim, qual poderia ser o resultado da releitura dos "Grundrisse" hoje?

Eric Hobsbawm: Não há, provavelmente, mais do que um punhado de editores e tradutores que tenham tido um pleno conhecimento desta grande e notoriamente difícil massa de textos. Mas uma releitura ou leitura deles hoje pode ajudar-nos a repensar Marx: a distinguir o geral na análise do capitalismo de Marx daquilo que foi específico da situação da sociedade burguesa na metade do século XIX. Não podemos prever que conclusões podem surgir desta análise. Provavelmente, somente podemos dizer que certamente não levarão a acordos unânimes.

Marcello Musto: Para terminar, uma pergunta final. Por que é importante ler Marx hoje?

Eric Hobsbawm: Para qualquer interessado nas idéias, seja um estudante universitário ou não, é patentemente claro que Marx é e permanecerá sendo uma das grandes mentes filosóficas, um dos grandes analistas econômicos do século XIX e, em sua máxima expressão, um mestre de uma prosa apaixonada. Também é importante ler Marx porque o mundo no qual vivemos hoje não pode ser entendido sem levar em conta a influência que os escritos deste homem tiveram sobre o século XX. E, finalmente, deveria ser lido porque, como ele mesmo escreveu, o mundo não pode ser transformado de maneira efetiva se não for entendido. Marx permanece sendo um soberbo pensador para a compreensão do mundo e dos problemas que devemos enfrentar.

Tradução para Sin Permiso (inglês-espanhol): Gabriel Vargas Lozano

Tradução para Carta Maior (espanhol-português): Marco Aurélio Weissheimer

Essa entrevista foi enviada para minha pessoa e para tantas outras, por e-mail, e por meus próprios critérios considerei importante meu blog ser mais um dos espaços em que a mesma viesse a ser veiculada.
 
Esse. que resolveu postar essa entrevista do Historiador Hosbawn concedida ao Jornalista Marcelo Musto, é o blogueiro Wanderson Silva de Souza.  

GATO - A VISITA!




GATO ME VISITOU NESSE SEGUNDO SEMESTRE, E EM TROCA DE SARDINHA EM LATA E UM TANTINHO DE LEITE ME PRÊMIOU COM PERLAS DO MILÊNAR SABEDORIA CHINESA QUE ELE INVENTOU NESSE MESMO ANO: 

"Ver o mundo com o Coração é mais do que um clichê. É UMA NECESSIDADE VITAL. A interatividade-integração entre e com todos os elementos da Natureza nos da uma dimensão consciente dos fatos da Vida, de nossa própria vida, do mundo que nos cerca e do Mundo.
'O Mundo esta cheio de Deuses'  já dizia o pensador Heráclito.


“hummm, parece que soy uno Menino Maluquinho, mas é que não faço alarde de minha lucidez, kkkkk.”

“Heróis persistem ao invés de se refugiarem no sarcasmo desistente”. 

"Coração bandido merece casamento de segurança máxima.” 

“A vida é simples. A simplicidade é que é complicada.” 

“O futuro começa nesse instante, no mundo das realizações.”

Assinado: GATO, O Pensador Felpudo!!!

domingo, 8 de novembro de 2009

T.S.T. (Teoria Sobre Tudo)

Intuo
Ondas-caos
Partículas-ordem

Intuo seu substrato
De todas as coisas, o substrato
De todos os Átomos, de suas ondas e partículas

Intuo o substrato de tudo: AMOR

Assinado: Wanderson Silva de Souza

sábado, 7 de novembro de 2009

A Heroína do Erê-mita e Sobre o Que Mais Importa



Quem me contou esse relato foi o Erê-mita:


A jovem mãe e sua criança de colo chegam no ginásio. As cadeiras seguem uma inclinação vertiginosa que parecem nos puxar para baixo. Quem sofre de labirintite é bom segurar firme na barra de apoio que alias não é lá muito confiável. Mas será que esse comentário vem justamente de quem tem labirintite?!
Humm... mas, voltando a essa jovem mulher, a subida não foi muito fácil para ninguém, menos tranqüila ainda para quem segura uma criança de colo.
Os espaços entre as cadeiras são estreitíssimos.
E, por esse motivo, ela, a mãe, teve que pedir que um estranho segurasse o filho dela para que ela fizesse o movimento acrobático de ascender a fila correspondente de seu ingresso.
O marido dela estava por perto, no ginásio ao lado, assistindo a virada do time do coração dele.
- Ele é louco pelo Homem Aranha – fala a moça a respeito do filho dela.
Houve tempo que conheci uma criatura que penava em filas de cinema, num distante bairro do planeta Terra. Só para que o insistente filhote dela assistisse as matines dos Trapalhões e do Tom e Jerry.
Já ouvi falar de mães que carregam seus filhos em bolsas ou nas costas ou na frente. Algumas das espécies humanas e também das espécies dos cangurus.
Mas... a despeito do herói da cidade-maça zero graus, que sempre se atrasa, em suas histórias, na cidade-banana quarenta graus ele também se atrasou.
- Estou doida para esse Homem Aranha acabar – falou essa moça e mãe já na segunda parte após o intervalo.
Não, ela não foi ao banheiro. Muitos foram, e os banheiros tem apenas uma privada e uma pia em cada um deles. E...
Bem... para sair da cadeira, um homem de cabelos grisalhos fez um movimento complexo, se elevando para trás, apoiando numa barra de ferro, para passar ao degrau dos banheiros. Nos tornamos homens aranhas.
E, quem tinha “pinos e placas” nos pés (calcanhar de Aquiles) não podia fazer por menos e se motivou a fazer o mesmo. Homens Aranhas, he, he...
Mas a mulher não. A mulher não foi ao banheiro. Com uma criança no colo ficaria difícil. Hummm, mas ela podia dar uma “irresponsabilidadezinha básica” deixando o filho com alguém e ir ao banheiro. (Nota para aqueles mais apressados em tirar conclusões de textos ainda em desenvolvimento: Isso foi um comentário irônico.)
Pois bem, o sorvete estava cinco reais. No trem é cinqüenta centavos.
E alguém que assistia ajudava a passar o picolé para o freguês e o dinheiro para o sorveteiro – Depois dessa idade virei atravessador.
- A gente tem ser tudo nesse lugar – comenta bem humorada, a mãe do menino, em seguida ela observa que o sorveteiro esta cansado.
- Ah, mas estaria muito mais tenso se estivesse trabalhando lá no jogo – aquele em que o marido dela estava.

E, porque será que os preços são super caros nesses eventos?
Hipótese 1 – Porque tem que pagar um “tributo” à casa, à produção do evento, ou à ambos?
Hipótese 2 – Porque se imagina que lá só tem “gente que pode”? Gente que pode, na expressão de nós antigos é “gente remediada” ou seja , classe média.
Hipótese 3 – Porque na realidade quem esta lá só tem a opção de comprar lá?
Eu levei biscoito e banana.
A pipoca de 4 reais é um desaforo. Em casa faço pipoca. Mas o espetáculo sim, é algo que não reproduzo em casa.

E porque será que parece frivolidade falar de entretenimentos quando há tantos problemas existênciais??? E porque será que parece “frescurinha” de eco-roqueiro inglês, falar de existencialismo e fragilidade humana quando tanta gente passa fome?!
Porque será que se pensa que um assunto exclui outro e que não há lugar no Espaço Público para tais digressões?
Não é para ser feliz que nós queremos comer e ter dinheiro e ter emprego e lugar e voz no mundo???
E a luta pela sobrevivência, por melhores condições de trabalho, acesso à educação popular, a saúde publica digna são apenas pré-requisitos para a verdadeira Vida que cada um de nós quer experimentar, cada qual ao seu gosto e temperamento, lógico.
Na verdade, o importante mesmo são essas questões que agora levantei nessa crônica: As dos entretenimentos.
Os grandes debates sociais, políticos e econômicos são na verdade condições que devemos visar para sim, irmos ao mais importante.
É como dizer que descascar o limão é mais importante que beber a limonada. Não É. Apenas é condição sem a qual não se pode beber uma limonada.
Os debates sociais de fundo e densos não são mais importantes que um bom espetáculo com a família num sábado. Mas sem esses primeiros, não chegamos nem na sobrevivência do corpo, e que dirá em termos diversão e arte.

E, voltando a mãe e seu filho.
Ela quase não assistiu ao espetáculo. Dava suco na mamadeira para o pequeno ser. Pequenos seres são impacientes e requerem atenção.
- Olha lá, filhinho, o Homem Aranha...
Tentando fazer com que o filho parasse de chorar. Ele chorava por desconforto, tédio e também porque nós humanos choramos mesmo. É coisa de bicho-homem.
Quase não assistiu ao Homem Aranha, não foi ao banheiro – Só vou saber o que é banheiro na casa da minha sogra, depois que isso aqui acabar.
E quase que ela não teve registro dela com seu filho para sua posteridade – Meu marido vai ficar chateado de eu não ter tirado nenhuma foto.
Era dificil ela manusear a maquina fotografica, a bolsa, a mamadeira e o filho, naquela cadeira apertada.
Ela tinha que ser uma mãe-aranha, com oitos membros para dar conta do recado. E acontece que ela não era. Era apenas humana, como se isso já fosse pouco.
O Erê-mita observou que alguém ofereceu-se para tirar a tal foto.
- Quer que eu tire uma foto sua com seu filho?
- Quero sim, “brigada”.

E, sabem porque a mulher não pediu para ninguem segurar o pequeno ser dela para que ela pudesse ir ao banheiro???
A resposta eu dou parafraseando Tio Bem (tio do Peter Parker): “PEQUENOS SERES TRAZEM GRANDES RESPONSABILIDADES”.
Dedico essa crônica a essa moça e mãe. Eu fui assistir o Homem Aranha ao Vivo e sentei ao lado de uma heroína.