quarta-feira, 30 de junho de 2010
sábado, 26 de junho de 2010
Meditando junto com Clarice
Uma colega me enviou essa citação:
“Sou o que se chama de pessoa impulsiva. Como descrever? Acho que assim: vem-me uma ideia ou um sentimento e eu, em vez de refletir sobre o que me veio, ajo quase que imediatamente. O resultado tem sido meio a meio: às vezes acontece que agi sob uma intuição dessas que não falham, às vezes erro completamente, o que prova que não se tratava de intuição, mas de simples infantilidade.
Trata-se de saber se devo prosseguir nos meus impulsos. E até que ponto posso controlá-los. [...] Deverei continuar a acertar e a errar, aceitando os resultados resignadamente? Ou devo lutar e tornar-me uma pessoa mais adulta? E também tenho medo de tornar-me adulta demais: eu perderia um dos prazeres do que é um jogo infantil, do que tantas vezes é uma alegria pura. Vou pensar no assunto. E certamente o resultado ainda virá sob a forma de um impulso. Não sou madura bastante ainda. Ou nunca serei.”
(Clarice Lispector)
E eu refletindo ponderei isso:
“ou nunca serei maduro.
mas tem fases em que a maturidade vem, e como um general que assume temporariamente o comando da nação, quando esta se encontra em guerra, o superego nos faz maduros, mas se quando a guerra acaba, o general superego deve se retirar do o comando da nação-pessoa, e ceder lugar de novo para a criança.”
(Wanderson Silva de Souza)
“Sou o que se chama de pessoa impulsiva. Como descrever? Acho que assim: vem-me uma ideia ou um sentimento e eu, em vez de refletir sobre o que me veio, ajo quase que imediatamente. O resultado tem sido meio a meio: às vezes acontece que agi sob uma intuição dessas que não falham, às vezes erro completamente, o que prova que não se tratava de intuição, mas de simples infantilidade.
Trata-se de saber se devo prosseguir nos meus impulsos. E até que ponto posso controlá-los. [...] Deverei continuar a acertar e a errar, aceitando os resultados resignadamente? Ou devo lutar e tornar-me uma pessoa mais adulta? E também tenho medo de tornar-me adulta demais: eu perderia um dos prazeres do que é um jogo infantil, do que tantas vezes é uma alegria pura. Vou pensar no assunto. E certamente o resultado ainda virá sob a forma de um impulso. Não sou madura bastante ainda. Ou nunca serei.”
(Clarice Lispector)
E eu refletindo ponderei isso:
“ou nunca serei maduro.
mas tem fases em que a maturidade vem, e como um general que assume temporariamente o comando da nação, quando esta se encontra em guerra, o superego nos faz maduros, mas se quando a guerra acaba, o general superego deve se retirar do o comando da nação-pessoa, e ceder lugar de novo para a criança.”
(Wanderson Silva de Souza)
Cochilando no trem, sonhei com Zumbi dos Palmares
Um homem entra em vindo do outro vagão. Ele é idoso, negro. Veste um terno gasto e tem uma Bíblia na mão. O calor absurdo deixa-nos todos em estado de paralisia, como se tudo andasse em câmera lenta.
O som abafado do trem se deslocando. A visão turva devido aos pingos de suor que descem pelo meu rosto e deixa tudo muito estranho e ao mesmo tempo familiar. Cheiro de churrasco misturado com perfume forte. De onde poderia estar vindo um cheio de churrasco num trem em movimento. Não importa, não duvido de mais nada, depois de tantos anos viajando de trem.
Mas... esse homem idoso atravessa a porta que separa o meu vagão do outro em ritmo lento. E eu também absorvo os estímulos externos em ritmo lento. O calor deixou-me murcho e lento. E minha percepção turbada.
O velho homem começa a pregar no trem. Ninguém liga e parece que nem ele liga também. Ele prega mecanicamente. Aliás toda a população tem estado meio mecânica, lenta, turbada muito provavelmente devido ao calor.
Percebo um homem ao meu lado que puxa assunto comigo.
Tudo isso não passou de um sonho. De qualquer forma a diferença entre realidade e imaginação tem menos importância do que costumamos dar.
- Preto Velho?!
- Não e sim.
- Esse homem é idoso e negro. É um preto velho.
Instante em que os dois homens se encaram.
O homem forte volta a falar.
- Ou é uma coisa ou não é.
- É...
- Existe alguma dúvida de que esse homem é um preto velho?
- Ele é um homem religioso.
- E não tem dúvida então. Na guerra não podemos ter intenção fraca.
- É.
Fala isso sem meio constrangido.
- Não estamos em guerra estamos?!
- Bem...
- Esse homem veste terno. Esta certo que é um terno gasto, mas é um terno!
Silêncio. Eles olham o homem andar com um livro preto na mão.
- Ou esse preto velho é um escravo alforriado ou não existe mais escravidão no Brasil.
- É que esse homem é um religioso que prega na rua.
- O Candomblé agora não é crime?!
- Ele não é do Candomblé. Ele usa terno porque é o costume da religião dele. Ele é velho e preto. Mas não é uma entidade, e nem de longe lembra os pretos velhos de seu tempo.
- Você falou que a guerra acabou. Confirmou sem convicção.
- Você fala como alguém do meu tempo presente e não do passado.
- Eu posso falar do jeito que bem entender. Sou de todos os tempos em que existe opressão ao negro. E falo de acordo com cada tempo.
-É, na verdade, o negro hoje fala muitas línguas.
- Muitos dialetos???
- É que não existe O Movimento Negro. Existem os movimentos negros. São muitos que reivindicam e divergem em como e em o quê reivindicar.
- Você fugiu da minha pergunta. Responda se estamos em guerra.
- Depende do que considere guerra.
- Sou um homem de ação e confio em meu próprio testemunho dos fatos.
- Não confia em ninguém.
- Confio em Olulum. E na força de meu braço, na coragem de meu coração e na esperteza de meu raciocínio. Para todas as adversidades, um homem deve contar somente com a fé em seus deuses, em seu coração, sua força e sua mente.
- E nos aliados?!
- Não. Eu já fui traído.
- Eu sei disso. Li os livros de his...
- Você não sabe de nada!
- Mas eu...
- Você?! Você não sabe de nada!!! Eu já fui traído muitas vezes. Infinitos Antonios Soares a trair o Espírito da Liberdade em nome de uma paz conformista. “Paz sem voz não é paz, é medo.”
- Essa é uma frase de uma música.
- Essa frase é minha pois veio de meu espírito.
- Como assim...?
- Toda vez que a liberdade é invocada, eis o Espírito: Zumbi.
- É... parece tão fácil, mas na pratica...
- Sou homem de ação. Quero ver esses movimentos negros de perto. Eu sou cada um deles. Em cada um deles existe um Zumbi. E cada Movimento Negro, em sua particularidade expressa o Espírito de Liberdade que evoca os ancestrais da Terra Antiga: África.
- Estamos tão longe da África.
- A África esta em nós, homem.
- Em nosso sangue.
- Nas palavras dos muitos dialetos. Nas provações de vencer na vida, no emprego, no trem lotado e na chibata que o trabalhador ainda recebe das forças de opressão. Na coragem em se fazer do jeito seu mesmo.
- Do seu jeito?
- Não há um jeito de ser negro. Cada negro constrói com suas vivências o que é ser negro e ninguém pode acusa-lo de ser menos negro só porque ele não é de Candomblé, não samba ou não joga futebol. O Ser negro esta no espírito. E isso não se coloca regras e nem definições.
- Puxa...
- Vamos. Leve-me até esses que você chama de Movimentos Negros.
- Humm... pelo que falou parece que você conhece muito bem esses movimentos.
- Mas eles me conhecem?!
- Bem... Não. Eles não conhecem.
- Há, verá que erra em dizer isso. Eles me conhecem SIM. E você também me conhece. Só que você ainda não percebeu isso.
- Diz isso pelo fato de eu não ser militante de nenhum movimento negro.
- Rapaz, cada negro é um movimento negro mesmo que ele não perceba, tais são as lutas que ele tem que travar em toda a sua existência.
- Não sei o que dizer. Estou confuso. Você parece dizer uma coisa e depois parece que diz o contrário.
- Sua confusão vai diminuir quando fomos até aos nossos irmãos dos movimentos para conversarmos.
- Ou ainda piorar. E você disse que na guerra não podemos ter intenção fraca...
- Mas a certeza absoluta pode ser confundida com tirania.
- Ué, mas você acabou de dizer... eu disse que parece que você muda toda hora de opi... Olha, eu já li em livros históricos que você também foi ditador.
- De qual dos Zumbi você fala??? Eu sou tantos. Tantos falam de minha pessoa e querem saber e dizer como sou... o que penso.
- Mas eu tenho minha opinião.
- Sim, você tem. Cada concebe o Zumbi da forma que merece e deseja. Como eu sou para você?
- Vou responder isso com uma música que eu fiz.
Continua... aparentemente a História não tem fim.
O som abafado do trem se deslocando. A visão turva devido aos pingos de suor que descem pelo meu rosto e deixa tudo muito estranho e ao mesmo tempo familiar. Cheiro de churrasco misturado com perfume forte. De onde poderia estar vindo um cheio de churrasco num trem em movimento. Não importa, não duvido de mais nada, depois de tantos anos viajando de trem.
Mas... esse homem idoso atravessa a porta que separa o meu vagão do outro em ritmo lento. E eu também absorvo os estímulos externos em ritmo lento. O calor deixou-me murcho e lento. E minha percepção turbada.
O velho homem começa a pregar no trem. Ninguém liga e parece que nem ele liga também. Ele prega mecanicamente. Aliás toda a população tem estado meio mecânica, lenta, turbada muito provavelmente devido ao calor.
Percebo um homem ao meu lado que puxa assunto comigo.
Tudo isso não passou de um sonho. De qualquer forma a diferença entre realidade e imaginação tem menos importância do que costumamos dar.
- Preto Velho?!
- Não e sim.
- Esse homem é idoso e negro. É um preto velho.
Instante em que os dois homens se encaram.
O homem forte volta a falar.
- Ou é uma coisa ou não é.
- É...
- Existe alguma dúvida de que esse homem é um preto velho?
- Ele é um homem religioso.
- E não tem dúvida então. Na guerra não podemos ter intenção fraca.
- É.
Fala isso sem meio constrangido.
- Não estamos em guerra estamos?!
- Bem...
- Esse homem veste terno. Esta certo que é um terno gasto, mas é um terno!
Silêncio. Eles olham o homem andar com um livro preto na mão.
- Ou esse preto velho é um escravo alforriado ou não existe mais escravidão no Brasil.
- É que esse homem é um religioso que prega na rua.
- O Candomblé agora não é crime?!
- Ele não é do Candomblé. Ele usa terno porque é o costume da religião dele. Ele é velho e preto. Mas não é uma entidade, e nem de longe lembra os pretos velhos de seu tempo.
- Você falou que a guerra acabou. Confirmou sem convicção.
- Você fala como alguém do meu tempo presente e não do passado.
- Eu posso falar do jeito que bem entender. Sou de todos os tempos em que existe opressão ao negro. E falo de acordo com cada tempo.
-É, na verdade, o negro hoje fala muitas línguas.
- Muitos dialetos???
- É que não existe O Movimento Negro. Existem os movimentos negros. São muitos que reivindicam e divergem em como e em o quê reivindicar.
- Você fugiu da minha pergunta. Responda se estamos em guerra.
- Depende do que considere guerra.
- Sou um homem de ação e confio em meu próprio testemunho dos fatos.
- Não confia em ninguém.
- Confio em Olulum. E na força de meu braço, na coragem de meu coração e na esperteza de meu raciocínio. Para todas as adversidades, um homem deve contar somente com a fé em seus deuses, em seu coração, sua força e sua mente.
- E nos aliados?!
- Não. Eu já fui traído.
- Eu sei disso. Li os livros de his...
- Você não sabe de nada!
- Mas eu...
- Você?! Você não sabe de nada!!! Eu já fui traído muitas vezes. Infinitos Antonios Soares a trair o Espírito da Liberdade em nome de uma paz conformista. “Paz sem voz não é paz, é medo.”
- Essa é uma frase de uma música.
- Essa frase é minha pois veio de meu espírito.
- Como assim...?
- Toda vez que a liberdade é invocada, eis o Espírito: Zumbi.
- É... parece tão fácil, mas na pratica...
- Sou homem de ação. Quero ver esses movimentos negros de perto. Eu sou cada um deles. Em cada um deles existe um Zumbi. E cada Movimento Negro, em sua particularidade expressa o Espírito de Liberdade que evoca os ancestrais da Terra Antiga: África.
- Estamos tão longe da África.
- A África esta em nós, homem.
- Em nosso sangue.
- Nas palavras dos muitos dialetos. Nas provações de vencer na vida, no emprego, no trem lotado e na chibata que o trabalhador ainda recebe das forças de opressão. Na coragem em se fazer do jeito seu mesmo.
- Do seu jeito?
- Não há um jeito de ser negro. Cada negro constrói com suas vivências o que é ser negro e ninguém pode acusa-lo de ser menos negro só porque ele não é de Candomblé, não samba ou não joga futebol. O Ser negro esta no espírito. E isso não se coloca regras e nem definições.
- Puxa...
- Vamos. Leve-me até esses que você chama de Movimentos Negros.
- Humm... pelo que falou parece que você conhece muito bem esses movimentos.
- Mas eles me conhecem?!
- Bem... Não. Eles não conhecem.
- Há, verá que erra em dizer isso. Eles me conhecem SIM. E você também me conhece. Só que você ainda não percebeu isso.
- Diz isso pelo fato de eu não ser militante de nenhum movimento negro.
- Rapaz, cada negro é um movimento negro mesmo que ele não perceba, tais são as lutas que ele tem que travar em toda a sua existência.
- Não sei o que dizer. Estou confuso. Você parece dizer uma coisa e depois parece que diz o contrário.
- Sua confusão vai diminuir quando fomos até aos nossos irmãos dos movimentos para conversarmos.
- Ou ainda piorar. E você disse que na guerra não podemos ter intenção fraca...
- Mas a certeza absoluta pode ser confundida com tirania.
- Ué, mas você acabou de dizer... eu disse que parece que você muda toda hora de opi... Olha, eu já li em livros históricos que você também foi ditador.
- De qual dos Zumbi você fala??? Eu sou tantos. Tantos falam de minha pessoa e querem saber e dizer como sou... o que penso.
- Mas eu tenho minha opinião.
- Sim, você tem. Cada concebe o Zumbi da forma que merece e deseja. Como eu sou para você?
- Vou responder isso com uma música que eu fiz.
Continua... aparentemente a História não tem fim.
sexta-feira, 25 de junho de 2010
DONA JOANINHA E O FUSCÃO PRETO
Dona Joaninha estava lavando o convés do navio.
A embarcação singrava despreocupadamente pelas serenas AGUAS DOCES do Sena. Ela parou um pouco para apreciar o gorjear da cotovia. Ou Seria o canto do Tremendão que ainda ecoava em seu coração desde a vez recente que estivera em terra firme?!!!
De qualquer modo, nesse enlevo inebriante em que se encontrava sob os domínios do rio Sena, Dona Joaninha sentiu a leve brisa de Zéfiro (o Vento Oeste dos Enamorados) lhe trazer um pequeno papelzinho colorido.
O papel colou bem em seu pequeno e delicado narizinho de batatinha.
Ficou ali parada, com o papel que, meio bêbado, meio equilibrista, se refestelava em seu nariz.
Instante de nada, de um tudo que fez sentir vontade continuar ali, com o papel lhe fazendo cócegas em seu nariz. Mas seus olhos, mas impacientes e analíticos que seu nariz, quis saber quem era esse visitante.
Viraram-se os olhos lentamente para baixo e olhou, com seus olhos, o papel colorido na ponta do nariz de batatinha.
Imediatamente enviou mensagem de aviso ao cérebro e este processou os dados.
Dona Joaninha vibrou de alegria.
Sob as calmas águas doces do Sena, Dona Joaninha havia encontrado um bilhete premiado.
- Vale cem mil dólares.
Dona Joaninha pensou nas possibilidades: Cem Mil dólares, casamento.
Pensou mais ainda – Cem Mil dólares, iates, casamento.
Pensou mais ambiciosamente – Cem mil dólares, mansões, casamento.
Pensou – Cem mil dólares, limusines, casamento.
Pregou no mural do navio o seguinte convite:
EU, DONA JOANINHA, DE GÓIAS VELHO, ACHEI UM BILHETE PREMIADO NO SENA E RESOLVI ME CASAR. OS CANDIDATOS SE APRESENTEM IMEDIATAMENTE, MAS COMO SOU MUITO sensível e inspiro cuidados, NÃO PODE SER UM NOIVO MUITO BARULHENTO, SENÃO TODA NOITE VOU FICAR INCOMODADA.
O primeiro a aparecer foi o Seu Coronel Boi, direto das bandas do Nordeste.
De camisa estampada e sapatos brancos combinando com o chapéu rosa.
O Seu Coronel Boi tinha uma barriga muito grande e comia uma bananada.
De gestos largos e sorriso franco ele falou com sua voz grave – Sou seu candidato ideal.
Dona Joaninha simpatizou e sentiu um arrepio na espinha ante aquela presença forte. Ela suava forte e o aroma do boi chegava a suas narinas sem ser convidado e era muito bem aceito por estas.
Dona Joaninha perguntou-lhe se era barulhento, ao que ele imediatamente pegou de seu saxofone e tirou um som muito maneiro.
Era um baião assim, meio estranho porque ao mesmo tempo tinha uma autenticidade totalmente leal as suas raízes nordestinas. E ao mesmo tempo, o baião que saia do saxofone tinha um arranjo totalmente alienígena. Algo que nunca se ouvira antes naqueles termos e que despertava o que de mais básico e espontâneo existe em nossas almas. Renascença não ia gostar de ouvir o baião desse boi. Nordestino também não. Mas quem achar bonito vai gostar, porque afinal musica ou é bonita ou não é. E beleza é coisa muito difícil de partilhar um com o outro. Mas fácil partilhar um “baião de dois” do que a mesma opinião sobre esse ou aquele baião.
Dona Joaninha não esperou o termino e o interrompeu assustada – Um som assim, sem que eu possa saber se é brasileiro nordestino ou se é experimentalismo de músico doidão vai assustar-me todas as noites. Quero não. Lá em Goiás tem disso não. Tem disso não!!!
Foi todo choroso o Seu Coronel Boi rejeitado. Pensou em compensar essa rejeição na cozinha do navio.
Em seguida chegou o Grão Duque Leão, uma cria da região Sul do Brasil.
Sujeito garboso, de constituição física robusta e com músculos com contornos bem definidos. Deu jeito, com o pretexto de ajeitar sua camisa, de levanta-la um pouco, para mostrar seu abdome cortado no estilo “tanquinho”.
Dona Joaninha encantou-se e seus olhos brilharam ante tal visão. Seu coração palpitou.
De medo de tal sensação, Dona Joaninha foi direto ao assunto perguntando-lhe se ele era barulhento.
O Grão Duque Leão sacou de seu pandeiro e respondeu – Oxente, que eu sou é formoso, dona moça. Escute.
Algo de muito barroco tinha ali. Exagerado, nada simples.
Dona Joaninha, com raiva falou - Coisa de louco.
Em Goiás tem disso não. Tem disso não.
Vai-te daqui, seu felino convencido.
O nobre felino deu um muxoxo e um soco no vazio e saiu com passos firmes e nervosos.
Em seguida, quando Dona Joaninha já perdia suas esperanças, chegou o terceiro, que era o Doutor Águia.
Doutor Aguia, que natural da região Norte do Brasil, era uma criatura bela em seu todo seu aspecto e conjunto, mas tudo isso era eclipsado pela frieza demasiada cerebral.
Ele tinha um jeito meio ameríndio. Era calado e tinha um ar senhorial e distinto. Nariz empinado e olhos ao mesmo tempo vazios e invasores.
Dona Joaninha admirou-se do bom doutor e sábio índio da região Norte.
Ela pensa - Quem sabe se é justamente do Norte que será meu marido?
Dona Joaninha pensou muitas coisas. Sua cabeça encheu-se de expectativas.
Dona Joaninha nem precisou fazer-lhe a sua principal pergunta, pois antes disso, Doutor Águia foi pegando em seu gravador portátil e lhe mostrando seu belíssimo trabalho em piano com toques de eletrônico, muito ao estilo do funk alemão da década de 70.
E ele tocou um rock meio pesado, meio melancólico. Um rock assim meio medieval.
Constrangida, Dona Joaninha recusou - Vai me deixar triste todas as tardes. Desculpe, meu bom doutor, eu não mereço o senhor. No Goiás tem disso não. Tem disso não.
Sem esboçar reação de agrado ou desagrado, foi embora, o bom Doutor Águia, com seu mesmo ar blasé com que havia chegado.
No fim de tudo, lá pelas tantas, ficou-se sabendo que Dona Joaninha marcou casamento com Carioquinha. E não se sabe o que ele faz ou deixa de fazer.
Dona Joaninha talvez nem tenha lhe perguntado ou exigido nada além do fato dele existir.
Na manha do dia do casamento estava o Carioquinha esperando. Quem realizaria o casamento seria o Capitão do Navio.
Um cochicho se ouviu e contaram para Carioquinha a triste noticia.
Alguém vira, na vez recente que o navio tinha estado em terra firme, ou nem tão firme assim, o fato inusitado e lamentável.
Viram Dona Joaninha indo embora sozinha, dirigindo num fuscão preto, todo feito de aço.
O fuscão era feito de aço e fez o passado de Dona Joaninha em pedaços. Também aprendeu a amar.
Essa historinha é um texto teatral que foi criado de improviso, assim mesmo, no tranco,( em meia hora) em 1990, para ser o casamento na roça, da festa junina que foi realizada no bairro de Vila Valqueire, na rua das Camélias. Só tempos depois ela foi passada para o papel. Na primeira montagem dela, foi feita sem texto. O grupo de teatro Valqueire (que também foi batizado nesse mesmo evento) teatralizou o texto com emoção e à partir da ideia básica da peça. Não houve texto escrito. Combinamos como seria a peça e nos apresentamos, sem decorar nada. O caminho foi inverso do que geralmente acontece com os textos teatrais: Ele já nasceu improviso e peça e só depois foi para o papel.
O autor é Wanderson Silva de Souza, que é o blogueiro que vos escreve e que posta nesse espaço virtual.
A embarcação singrava despreocupadamente pelas serenas AGUAS DOCES do Sena. Ela parou um pouco para apreciar o gorjear da cotovia. Ou Seria o canto do Tremendão que ainda ecoava em seu coração desde a vez recente que estivera em terra firme?!!!
De qualquer modo, nesse enlevo inebriante em que se encontrava sob os domínios do rio Sena, Dona Joaninha sentiu a leve brisa de Zéfiro (o Vento Oeste dos Enamorados) lhe trazer um pequeno papelzinho colorido.
O papel colou bem em seu pequeno e delicado narizinho de batatinha.
Ficou ali parada, com o papel que, meio bêbado, meio equilibrista, se refestelava em seu nariz.
Instante de nada, de um tudo que fez sentir vontade continuar ali, com o papel lhe fazendo cócegas em seu nariz. Mas seus olhos, mas impacientes e analíticos que seu nariz, quis saber quem era esse visitante.
Viraram-se os olhos lentamente para baixo e olhou, com seus olhos, o papel colorido na ponta do nariz de batatinha.
Imediatamente enviou mensagem de aviso ao cérebro e este processou os dados.
Dona Joaninha vibrou de alegria.
Sob as calmas águas doces do Sena, Dona Joaninha havia encontrado um bilhete premiado.
- Vale cem mil dólares.
Dona Joaninha pensou nas possibilidades: Cem Mil dólares, casamento.
Pensou mais ainda – Cem Mil dólares, iates, casamento.
Pensou mais ambiciosamente – Cem mil dólares, mansões, casamento.
Pensou – Cem mil dólares, limusines, casamento.
Pregou no mural do navio o seguinte convite:
EU, DONA JOANINHA, DE GÓIAS VELHO, ACHEI UM BILHETE PREMIADO NO SENA E RESOLVI ME CASAR. OS CANDIDATOS SE APRESENTEM IMEDIATAMENTE, MAS COMO SOU MUITO sensível e inspiro cuidados, NÃO PODE SER UM NOIVO MUITO BARULHENTO, SENÃO TODA NOITE VOU FICAR INCOMODADA.
O primeiro a aparecer foi o Seu Coronel Boi, direto das bandas do Nordeste.
De camisa estampada e sapatos brancos combinando com o chapéu rosa.
O Seu Coronel Boi tinha uma barriga muito grande e comia uma bananada.
De gestos largos e sorriso franco ele falou com sua voz grave – Sou seu candidato ideal.
Dona Joaninha simpatizou e sentiu um arrepio na espinha ante aquela presença forte. Ela suava forte e o aroma do boi chegava a suas narinas sem ser convidado e era muito bem aceito por estas.
Dona Joaninha perguntou-lhe se era barulhento, ao que ele imediatamente pegou de seu saxofone e tirou um som muito maneiro.
Era um baião assim, meio estranho porque ao mesmo tempo tinha uma autenticidade totalmente leal as suas raízes nordestinas. E ao mesmo tempo, o baião que saia do saxofone tinha um arranjo totalmente alienígena. Algo que nunca se ouvira antes naqueles termos e que despertava o que de mais básico e espontâneo existe em nossas almas. Renascença não ia gostar de ouvir o baião desse boi. Nordestino também não. Mas quem achar bonito vai gostar, porque afinal musica ou é bonita ou não é. E beleza é coisa muito difícil de partilhar um com o outro. Mas fácil partilhar um “baião de dois” do que a mesma opinião sobre esse ou aquele baião.
Dona Joaninha não esperou o termino e o interrompeu assustada – Um som assim, sem que eu possa saber se é brasileiro nordestino ou se é experimentalismo de músico doidão vai assustar-me todas as noites. Quero não. Lá em Goiás tem disso não. Tem disso não!!!
Foi todo choroso o Seu Coronel Boi rejeitado. Pensou em compensar essa rejeição na cozinha do navio.
Em seguida chegou o Grão Duque Leão, uma cria da região Sul do Brasil.
Sujeito garboso, de constituição física robusta e com músculos com contornos bem definidos. Deu jeito, com o pretexto de ajeitar sua camisa, de levanta-la um pouco, para mostrar seu abdome cortado no estilo “tanquinho”.
Dona Joaninha encantou-se e seus olhos brilharam ante tal visão. Seu coração palpitou.
De medo de tal sensação, Dona Joaninha foi direto ao assunto perguntando-lhe se ele era barulhento.
O Grão Duque Leão sacou de seu pandeiro e respondeu – Oxente, que eu sou é formoso, dona moça. Escute.
Algo de muito barroco tinha ali. Exagerado, nada simples.
Dona Joaninha, com raiva falou - Coisa de louco.
Em Goiás tem disso não. Tem disso não.
Vai-te daqui, seu felino convencido.
O nobre felino deu um muxoxo e um soco no vazio e saiu com passos firmes e nervosos.
Em seguida, quando Dona Joaninha já perdia suas esperanças, chegou o terceiro, que era o Doutor Águia.
Doutor Aguia, que natural da região Norte do Brasil, era uma criatura bela em seu todo seu aspecto e conjunto, mas tudo isso era eclipsado pela frieza demasiada cerebral.
Ele tinha um jeito meio ameríndio. Era calado e tinha um ar senhorial e distinto. Nariz empinado e olhos ao mesmo tempo vazios e invasores.
Dona Joaninha admirou-se do bom doutor e sábio índio da região Norte.
Ela pensa - Quem sabe se é justamente do Norte que será meu marido?
Dona Joaninha pensou muitas coisas. Sua cabeça encheu-se de expectativas.
Dona Joaninha nem precisou fazer-lhe a sua principal pergunta, pois antes disso, Doutor Águia foi pegando em seu gravador portátil e lhe mostrando seu belíssimo trabalho em piano com toques de eletrônico, muito ao estilo do funk alemão da década de 70.
E ele tocou um rock meio pesado, meio melancólico. Um rock assim meio medieval.
Constrangida, Dona Joaninha recusou - Vai me deixar triste todas as tardes. Desculpe, meu bom doutor, eu não mereço o senhor. No Goiás tem disso não. Tem disso não.
Sem esboçar reação de agrado ou desagrado, foi embora, o bom Doutor Águia, com seu mesmo ar blasé com que havia chegado.
No fim de tudo, lá pelas tantas, ficou-se sabendo que Dona Joaninha marcou casamento com Carioquinha. E não se sabe o que ele faz ou deixa de fazer.
Dona Joaninha talvez nem tenha lhe perguntado ou exigido nada além do fato dele existir.
Na manha do dia do casamento estava o Carioquinha esperando. Quem realizaria o casamento seria o Capitão do Navio.
Um cochicho se ouviu e contaram para Carioquinha a triste noticia.
Alguém vira, na vez recente que o navio tinha estado em terra firme, ou nem tão firme assim, o fato inusitado e lamentável.
Viram Dona Joaninha indo embora sozinha, dirigindo num fuscão preto, todo feito de aço.
O fuscão era feito de aço e fez o passado de Dona Joaninha em pedaços. Também aprendeu a amar.
Essa historinha é um texto teatral que foi criado de improviso, assim mesmo, no tranco,( em meia hora) em 1990, para ser o casamento na roça, da festa junina que foi realizada no bairro de Vila Valqueire, na rua das Camélias. Só tempos depois ela foi passada para o papel. Na primeira montagem dela, foi feita sem texto. O grupo de teatro Valqueire (que também foi batizado nesse mesmo evento) teatralizou o texto com emoção e à partir da ideia básica da peça. Não houve texto escrito. Combinamos como seria a peça e nos apresentamos, sem decorar nada. O caminho foi inverso do que geralmente acontece com os textos teatrais: Ele já nasceu improviso e peça e só depois foi para o papel.
O autor é Wanderson Silva de Souza, que é o blogueiro que vos escreve e que posta nesse espaço virtual.
NOVELA – 25/02/2007
E João Pedro amou Maria Joana. Maria Joana também amou João Pedro.
Mas o amor deles tinha que ser impossível por ser desse amores de novela.
E, talvez por isso mesmo eles terminem juntos, felizes para todo o sempre no último capitulo.
Você já chegou ao seu último capítulo?
Da série “Revelações do Caderninho de 2007”
Mas o amor deles tinha que ser impossível por ser desse amores de novela.
E, talvez por isso mesmo eles terminem juntos, felizes para todo o sempre no último capitulo.
Você já chegou ao seu último capítulo?
Da série “Revelações do Caderninho de 2007”
E Se...(Eu Pensasse no Amor?)
E se eu pensasse no Amor...
Como uma rosa???
E se eu pensasse no amor, como uma rosa pensa no amor...
Uma rosa, companheira minha, no distante planeta B 612
A tiranizar-me com seus caprichos cruéis e infantis.
E...
E se eu pensasse no amorrrrr...?!
Como uma rosa!
E se eu pensasse no amor...?
E se eu pensasse.
E se...???
Da série “Revelações do Caderninho de 2007”
Como uma rosa???
E se eu pensasse no amor, como uma rosa pensa no amor...
Uma rosa, companheira minha, no distante planeta B 612
A tiranizar-me com seus caprichos cruéis e infantis.
E...
E se eu pensasse no amorrrrr...?!
Como uma rosa!
E se eu pensasse no amor...?
E se eu pensasse.
E se...???
Da série “Revelações do Caderninho de 2007”
Ode ao Caderninho
Meu caderno
É meu companheiro
Com ele
Sou eu
Em vários estados
Com ele, na sociedade
No bar e em casa
Na sala de espera e no ônibus
Sou muitos
Sendo este mesmo
Vestido de muitos outros
Esse caderno é meu amigo
Da série “Revelações do Caderninho de 2007”
É meu companheiro
Com ele
Sou eu
Em vários estados
Com ele, na sociedade
No bar e em casa
Na sala de espera e no ônibus
Sou muitos
Sendo este mesmo
Vestido de muitos outros
Esse caderno é meu amigo
Da série “Revelações do Caderninho de 2007”
quinta-feira, 24 de junho de 2010
Saneamento Básico - O Filme
Saneamento Básico se passa no inverno.
O filme “Saneamento Básico” trata do conceito de transformação, transmutação, mutação, movimento.
Transmutação é uma consequência da mutação. Mutação ou seja, mudança. Mudança pressupõe movimento. Cinema é movimento. “Cinética” é o ramo da Física que estuda o movimento. O filme é sobre personagens que fazem um filme. Esse filme, que, sendo cinema, já traz a ideia de movimento, nasceu de um movimento, de uma mutação. A ideia inicial era construir uma fossa para uma pequena cidade do sul do Brasil.
A natureza, na forma do rio da cidade, esta degrada faz anos. O rio já traz\ em si a idéia de movimento. Porém a burocracia e falta de vontade publica dos órgãos impede o fluxo das melhorias.
Em todos os aspectos a produção do filme “O Monstro da Fossa”(mais tarde rebatizado de “O Monstro do Fosso”) se assombram-se com os altos custos do filme, sempre tomando como referência os produtos que fazem parte do básico da vida cotidiana deles, tais como uma mesa, tijolos.
Tônico Pereira desmonta o argumento da secretaria da prefeitura de que não tem verba para prosseguir na continuidade da obra usando como porque a merenda escolar é prioridade. Afirma o italiano que as crianças estudam em meio turno. E afinal engordar as crianças é só para mostrar que elas tem saúde. Irônico um italiano criticar a obesidade infantil, diante do folclore dos italianos associarem a saúde das crianças ao fato delas estarem “gordinhas”.
Paulo José, o velho pai de Mariana, enriquece mais ainda o filme com seu ótimo improviso discursando em favor da proteção da Natureza.
E demonstra que é um cinéfilo “de carteirinha” dar dois conselhos para filha que fez administração de empresa. O pai, marceneiro, lhe da duas ideias: Vocês devem editar o filme; e usem um dublê no meu lugar.
Diante desse fato, gera-se uma ideia:Aproveitar a verba, que inicialmente era para fazer um filme, nas obras de saneamento. Cabe aqui uma referência tanto à musica “Comida” dos Titãs, quanto à palavra “básica” presente no título do filme.
Comida, diversão e arte é o que se pede. No entanto, não raro é obrigado a se optar entre a área de cultura e as chamadas questões básicas. Arte deveria estar presente na “cesta básica”.
O personagem de Paulo José é alguém que ama cinema. Inicialmente ele é contra à ideia da realização do filme não por desvalorizar a arte mas sim pelo fato ter que optar entre a condições de vida saudáveis e dignas ou um a cultura.
A ideia de movimento, transformação esta presente em todos os aspectos do filme. O personagem questiona para a filha se ele esta velho demais para continuar ajudando e cita o tempo em que ele era subprefeito. O passado no presente lembrando a passagem das estações ou ciclos.Ciclos da lua. Lua, que alias é o nome da personagem de Camila Pitanga. Afinal, Selene é Lua em grego.
Tônico Pereira e Paulo José que discutem e não se esquecem das divergências regionais deles em sua terra natal. Quando Tônico Pereira mostra-lhe seu carro seminovo e este fala que o carro dele ainda é do tempo do “toca-fitas”.
A lenta transformação ou ainda a lenta revelação dos personagens para nós, público. O casal Fabricio e Selene que no principio pareciam estar no verão de suas vidas e acabm esfriando no decorrer da história. E o casal Joaquim e Mariana, que pareciam estar no outono de seu casamento, se renovam enquanto amantes, amigos e parceiros de projetos, tanto os de vida quanto os de negócios. .
Os laços que ligam um personagem ao outro vão sendo revelados aos poucos. De inicio pode-se pensar que Joaquim e Mariana são irmão, mas na verdade eles são maridos e esposa. De inicio se imagina que Joaquim é um tolo, mas na verdade ele tem um força e sensibilidade interior comoventes. A filha Mariana, que absorve o perfeccionismo com a gramática que o pai lhe imprime, sempre que a corrige de seus erros de português.
O casal Selene e Fabricio que pareciam muito íntimos e envolvidos nos mostra que a relação deles tinha a consistência de um namorico.
O narcismo de Fabricio e de Selene.
A produção, direção e roteiro do casal Mariana e Joaquim. E a direção tímida e titubeante, porém esforçada de Mariana.
A participação pífia do prefeito, apenas para colher os louros da vitória e capitalizar esse feito para seu currículo de político.
A ideia do monstro como resultado de uma mutação genética nos trás as consequências devastadoras de um devir sem conscientização política, ecológica, emocional, social e cultural.
O que vemos nesse filme é um mosaico, bem construído, das transformações, algumas caminhando para a decadência e para o parasitismo e outras para a gloria, a pedagogia atuante e o empreendedorismo, nas instâncias sociais, artísticas, ecológicas, emocionais e políticas.
Tudo se passa no inverno, foi o que eu disse no inicio.
Paulo José abraçou-se num gesto de auto proteção e defesa do “eu interno”, quando soube que sua filha apareceria com “pouca roupa” no filme. Ele disse que estava frio. No inverno é o tempo de hibernação, de preparação para a eclosão de novos “ovos”(Lazaro Ramos chega a falar que sua próxima ideia envolve um ovo.) E eclosão de ovos, das crisálidas, o acordar dos ursos na caverna, na primavera, quando tudo renasce e num sentido, ora literal, ora alegórico, ora mesclados, todos renascem.
Na primavera, novo ciclo da lua, vemos o que deve ser aproveitado pelo organismo da natureza natura (rio e floresta) e pela natureza humana(cidade) como energia. E vemos o que deve ser dispensando, excretado, expulso por esse mesmo organismo como dejeto inútil.
Quando o organismo fica com o intestino preso, o esgoto entupido, essas substâncias nocivas começam a intoxicar o organismo dando ensejo que para que vermes possam parasitar o organismo. Como alguns indivíduos que perpetuam velhas praticas políticas amparados pelo continuar do que já não serve mais.
Joaquim e Mariana são pessoas de inteligência vigorosa. A cultura que lhe faltava é o de menos, uma vez que a necessidade pratica( o motor do pensamento e do sentimento) os movem em direção ao construir de soluções criativas.
Inteligência não se aprende na escola.
Na primavera, Mariana estava grávida de um bebe, no sentido literal. E mais ainda. Joaquim e Mariana estavam grávidos, no sentido alegórico, de um novo Joaquim e de um nova Mariana. Um novo homem e uma nova mulher que ambos, com muito choro, decepção, bate-boca de casal, “tempestade criativa”, companheirismo, forjaram com suas forças individuais sim e também com a força da relação deles um com o outro.
A cena de Joaquim indo vender a moto, quer nos transportar aos filmes apologias ao cinema de saudosos cineastas italianos do século XX.
Mariana revelou força hercúlea e vontade férrea: O que costumeiramente se associa, no sentido mais pobre culturalmente falando, ao gênero masculino.
Joaquim revelou desprendimento e entrega total de si para sua parceira: O que costumeiramente se associa, no sentido mais pobre culturalmente falando, ao gênero feminino.
Mariana sentia-se tão envolvida pela obra que estava gestando com seu coração, mente e braços e pernas (caminhou muito para conseguir patrocínio) que seu chegou a ser quase mal interpretada ao deita-se no ombro de Lazaro Ramos. Esta sentiu-se em êxtase e se contentamento meio que a levou de volta a infância e criou uma quase proximidade entre ela e Lazaro, que este último, sendo “homem da cidade”, portanto mais malicioso, tentou levar essa aproximação para outros desdobramento que nem de longe, passavam pela mente dela.
Sim, vivas ao feminismo inteligente e atual desse filme. Nesse filme, o feminismo também se permitiu passar por um saneamento básico e ser revisto, pois aqui, mesmo vendo-nos uma Mariana bem ao estilo “mulheres são de Vênus” no entanto um Joaquim, bem ao estilo “Homens são de Marte” Podemos afirmar que nessa história tinha uma grande mulher e que por trás dessa grande mulher, tinha um grande homem.
Não tem ali competição e jogos de poder entre Mariana e Joaquim, e sim respeito e total conhecimento da psique um do outro permitindo uma harmonia entre o casal, que nem por isso não esta sujeito a “chuvas e trovões”. A natureza também tem seus vulcões em erupção e seus maremotos e nesses embates reside também seu equilíbrio.
O filme termina na primavera e Paulo José leva o passarinho dele para conhecer uma parceira, e pode ser ver que a fossa continua.
Fossa ou fosso? Só um questão de eufemismo que faz\ toda a diferença, pois qual turista iria para uma cidade para conhecer a ambientação do monstro ficcional da fossa?
Um pouco de ilusão é necessária para a magia do cinema. Fosso é mais belo que fossa, para efeitos de estética e como uma professora no final da exibição do curta, a obra não tinha aquele ranço chato de “filme pedagógico”. Mas os eufemismos se são necessários para linguagem estética da arte, eles são bem convenientes também para os sofismas e “jogos de palavras” de demagogos de carteirinhas. (O prefeitos tinha um bordão pronto para dizer em qualquer evento, por mais diferentes que eles fossem: Obra de saneamento básico ou exibição.)
O filme também foi uma aula de como fazer cinema na pratica. ( E não esta aí nessa minha afirmação nenhuma critica direta ou indireta às escolas de cinema.)
Uma mostra de como são distintos e ao mesmo tempo interdependentes o aspecto propriamente artístico do cinema e toda a carpintaria e estiva.
Mariana e Joaquim foram artistas, operários e empresários e exerceram todos ele senão com total competência, justificável pelo fato de serem calouros no oficio, certamente foram plenos e verdadeiros em todos esses três atributos.
No fim do filme “O Monstro do Fosso” Selene(lua) é colocada como a representação humana da Natureza, bela e quase sempre maltratada. A personagem de Camila Pitanga também começou a sentir que ela não tinha seu potencial e sua beleza valorizada.
Filme de rara beleza. Se é para colocar em alguma prateleira de gênero, eu não diria que é propriamente uma comédia, embora faça rir, divirta. E o ator que fez Joaquim já comentou, se não me falha a memória, numa recente entrevista concedida ao Lobão, que os filmes tem que se libertar dessa necessidade de só falar de coisas fortes, feias e “carracundas”. Esse filme conseguiu falar dessas coisas todas e foi compreensível, divertido, leve a ainda por cima falou de amor, de pai-filha, de marido-esposa, pela arte, pela natureza e de relações humanas.
VIVA A NATUREZA!
VIVA O CINEMA!
VIVA AS AÇÕES AFIRMATIVAS!
VIVA O MARAVILHOSO SER HUMANO!
.
O filme “Saneamento Básico” trata do conceito de transformação, transmutação, mutação, movimento.
Transmutação é uma consequência da mutação. Mutação ou seja, mudança. Mudança pressupõe movimento. Cinema é movimento. “Cinética” é o ramo da Física que estuda o movimento. O filme é sobre personagens que fazem um filme. Esse filme, que, sendo cinema, já traz a ideia de movimento, nasceu de um movimento, de uma mutação. A ideia inicial era construir uma fossa para uma pequena cidade do sul do Brasil.
A natureza, na forma do rio da cidade, esta degrada faz anos. O rio já traz\ em si a idéia de movimento. Porém a burocracia e falta de vontade publica dos órgãos impede o fluxo das melhorias.
Em todos os aspectos a produção do filme “O Monstro da Fossa”(mais tarde rebatizado de “O Monstro do Fosso”) se assombram-se com os altos custos do filme, sempre tomando como referência os produtos que fazem parte do básico da vida cotidiana deles, tais como uma mesa, tijolos.
Tônico Pereira desmonta o argumento da secretaria da prefeitura de que não tem verba para prosseguir na continuidade da obra usando como porque a merenda escolar é prioridade. Afirma o italiano que as crianças estudam em meio turno. E afinal engordar as crianças é só para mostrar que elas tem saúde. Irônico um italiano criticar a obesidade infantil, diante do folclore dos italianos associarem a saúde das crianças ao fato delas estarem “gordinhas”.
Paulo José, o velho pai de Mariana, enriquece mais ainda o filme com seu ótimo improviso discursando em favor da proteção da Natureza.
E demonstra que é um cinéfilo “de carteirinha” dar dois conselhos para filha que fez administração de empresa. O pai, marceneiro, lhe da duas ideias: Vocês devem editar o filme; e usem um dublê no meu lugar.
Diante desse fato, gera-se uma ideia:Aproveitar a verba, que inicialmente era para fazer um filme, nas obras de saneamento. Cabe aqui uma referência tanto à musica “Comida” dos Titãs, quanto à palavra “básica” presente no título do filme.
Comida, diversão e arte é o que se pede. No entanto, não raro é obrigado a se optar entre a área de cultura e as chamadas questões básicas. Arte deveria estar presente na “cesta básica”.
O personagem de Paulo José é alguém que ama cinema. Inicialmente ele é contra à ideia da realização do filme não por desvalorizar a arte mas sim pelo fato ter que optar entre a condições de vida saudáveis e dignas ou um a cultura.
A ideia de movimento, transformação esta presente em todos os aspectos do filme. O personagem questiona para a filha se ele esta velho demais para continuar ajudando e cita o tempo em que ele era subprefeito. O passado no presente lembrando a passagem das estações ou ciclos.Ciclos da lua. Lua, que alias é o nome da personagem de Camila Pitanga. Afinal, Selene é Lua em grego.
Tônico Pereira e Paulo José que discutem e não se esquecem das divergências regionais deles em sua terra natal. Quando Tônico Pereira mostra-lhe seu carro seminovo e este fala que o carro dele ainda é do tempo do “toca-fitas”.
A lenta transformação ou ainda a lenta revelação dos personagens para nós, público. O casal Fabricio e Selene que no principio pareciam estar no verão de suas vidas e acabm esfriando no decorrer da história. E o casal Joaquim e Mariana, que pareciam estar no outono de seu casamento, se renovam enquanto amantes, amigos e parceiros de projetos, tanto os de vida quanto os de negócios. .
Os laços que ligam um personagem ao outro vão sendo revelados aos poucos. De inicio pode-se pensar que Joaquim e Mariana são irmão, mas na verdade eles são maridos e esposa. De inicio se imagina que Joaquim é um tolo, mas na verdade ele tem um força e sensibilidade interior comoventes. A filha Mariana, que absorve o perfeccionismo com a gramática que o pai lhe imprime, sempre que a corrige de seus erros de português.
O casal Selene e Fabricio que pareciam muito íntimos e envolvidos nos mostra que a relação deles tinha a consistência de um namorico.
O narcismo de Fabricio e de Selene.
A produção, direção e roteiro do casal Mariana e Joaquim. E a direção tímida e titubeante, porém esforçada de Mariana.
A participação pífia do prefeito, apenas para colher os louros da vitória e capitalizar esse feito para seu currículo de político.
A ideia do monstro como resultado de uma mutação genética nos trás as consequências devastadoras de um devir sem conscientização política, ecológica, emocional, social e cultural.
O que vemos nesse filme é um mosaico, bem construído, das transformações, algumas caminhando para a decadência e para o parasitismo e outras para a gloria, a pedagogia atuante e o empreendedorismo, nas instâncias sociais, artísticas, ecológicas, emocionais e políticas.
Tudo se passa no inverno, foi o que eu disse no inicio.
Paulo José abraçou-se num gesto de auto proteção e defesa do “eu interno”, quando soube que sua filha apareceria com “pouca roupa” no filme. Ele disse que estava frio. No inverno é o tempo de hibernação, de preparação para a eclosão de novos “ovos”(Lazaro Ramos chega a falar que sua próxima ideia envolve um ovo.) E eclosão de ovos, das crisálidas, o acordar dos ursos na caverna, na primavera, quando tudo renasce e num sentido, ora literal, ora alegórico, ora mesclados, todos renascem.
Na primavera, novo ciclo da lua, vemos o que deve ser aproveitado pelo organismo da natureza natura (rio e floresta) e pela natureza humana(cidade) como energia. E vemos o que deve ser dispensando, excretado, expulso por esse mesmo organismo como dejeto inútil.
Quando o organismo fica com o intestino preso, o esgoto entupido, essas substâncias nocivas começam a intoxicar o organismo dando ensejo que para que vermes possam parasitar o organismo. Como alguns indivíduos que perpetuam velhas praticas políticas amparados pelo continuar do que já não serve mais.
Joaquim e Mariana são pessoas de inteligência vigorosa. A cultura que lhe faltava é o de menos, uma vez que a necessidade pratica( o motor do pensamento e do sentimento) os movem em direção ao construir de soluções criativas.
Inteligência não se aprende na escola.
Na primavera, Mariana estava grávida de um bebe, no sentido literal. E mais ainda. Joaquim e Mariana estavam grávidos, no sentido alegórico, de um novo Joaquim e de um nova Mariana. Um novo homem e uma nova mulher que ambos, com muito choro, decepção, bate-boca de casal, “tempestade criativa”, companheirismo, forjaram com suas forças individuais sim e também com a força da relação deles um com o outro.
A cena de Joaquim indo vender a moto, quer nos transportar aos filmes apologias ao cinema de saudosos cineastas italianos do século XX.
Mariana revelou força hercúlea e vontade férrea: O que costumeiramente se associa, no sentido mais pobre culturalmente falando, ao gênero masculino.
Joaquim revelou desprendimento e entrega total de si para sua parceira: O que costumeiramente se associa, no sentido mais pobre culturalmente falando, ao gênero feminino.
Mariana sentia-se tão envolvida pela obra que estava gestando com seu coração, mente e braços e pernas (caminhou muito para conseguir patrocínio) que seu chegou a ser quase mal interpretada ao deita-se no ombro de Lazaro Ramos. Esta sentiu-se em êxtase e se contentamento meio que a levou de volta a infância e criou uma quase proximidade entre ela e Lazaro, que este último, sendo “homem da cidade”, portanto mais malicioso, tentou levar essa aproximação para outros desdobramento que nem de longe, passavam pela mente dela.
Sim, vivas ao feminismo inteligente e atual desse filme. Nesse filme, o feminismo também se permitiu passar por um saneamento básico e ser revisto, pois aqui, mesmo vendo-nos uma Mariana bem ao estilo “mulheres são de Vênus” no entanto um Joaquim, bem ao estilo “Homens são de Marte” Podemos afirmar que nessa história tinha uma grande mulher e que por trás dessa grande mulher, tinha um grande homem.
Não tem ali competição e jogos de poder entre Mariana e Joaquim, e sim respeito e total conhecimento da psique um do outro permitindo uma harmonia entre o casal, que nem por isso não esta sujeito a “chuvas e trovões”. A natureza também tem seus vulcões em erupção e seus maremotos e nesses embates reside também seu equilíbrio.
O filme termina na primavera e Paulo José leva o passarinho dele para conhecer uma parceira, e pode ser ver que a fossa continua.
Fossa ou fosso? Só um questão de eufemismo que faz\ toda a diferença, pois qual turista iria para uma cidade para conhecer a ambientação do monstro ficcional da fossa?
Um pouco de ilusão é necessária para a magia do cinema. Fosso é mais belo que fossa, para efeitos de estética e como uma professora no final da exibição do curta, a obra não tinha aquele ranço chato de “filme pedagógico”. Mas os eufemismos se são necessários para linguagem estética da arte, eles são bem convenientes também para os sofismas e “jogos de palavras” de demagogos de carteirinhas. (O prefeitos tinha um bordão pronto para dizer em qualquer evento, por mais diferentes que eles fossem: Obra de saneamento básico ou exibição.)
O filme também foi uma aula de como fazer cinema na pratica. ( E não esta aí nessa minha afirmação nenhuma critica direta ou indireta às escolas de cinema.)
Uma mostra de como são distintos e ao mesmo tempo interdependentes o aspecto propriamente artístico do cinema e toda a carpintaria e estiva.
Mariana e Joaquim foram artistas, operários e empresários e exerceram todos ele senão com total competência, justificável pelo fato de serem calouros no oficio, certamente foram plenos e verdadeiros em todos esses três atributos.
No fim do filme “O Monstro do Fosso” Selene(lua) é colocada como a representação humana da Natureza, bela e quase sempre maltratada. A personagem de Camila Pitanga também começou a sentir que ela não tinha seu potencial e sua beleza valorizada.
Filme de rara beleza. Se é para colocar em alguma prateleira de gênero, eu não diria que é propriamente uma comédia, embora faça rir, divirta. E o ator que fez Joaquim já comentou, se não me falha a memória, numa recente entrevista concedida ao Lobão, que os filmes tem que se libertar dessa necessidade de só falar de coisas fortes, feias e “carracundas”. Esse filme conseguiu falar dessas coisas todas e foi compreensível, divertido, leve a ainda por cima falou de amor, de pai-filha, de marido-esposa, pela arte, pela natureza e de relações humanas.
VIVA A NATUREZA!
VIVA O CINEMA!
VIVA AS AÇÕES AFIRMATIVAS!
VIVA O MARAVILHOSO SER HUMANO!
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terça-feira, 15 de junho de 2010
Enquanto os cachorros são alimentados à noite(Imbuí-Via Láctea-11/07/2007)
Amor é Love You
Na Copa do Mundo, eu torço para o Brasil usando a camisa amarela oficial da SELEÇÃO DO MUNDO(!!!) e com todo aquele ritual domestico-familiar.
Considero muito bonito a paixão que observo, tanto em homens, quanto em mulheres, por seus times e pelo futebol e esporte de um modo geral. Quando ouço os gritos dos vizinhos de "goollll" eu me emociono pois constato que há coisas belas no mundo também. Há leveza, há sorrisos. Por isso que digo que eu não ligo para futebol e esportes em geral, mas acho lindo as pessoas que vibram e torcem por seus times e atletas do coração.
Gosto mais de ouvir as entrevistas dos atletas (que são geralmente repletas de conteúdo) do que assistir as competições.
Tenho verdadeira admiração pelo Garrincha.
O Texto, a Foto e os dois desenhos foram produzidos por Wanderson Silva de Souza. (O "W" tem som de "U")
Todos os direitos, deveres e reclamações estão reservados.
Na Copa do Mundo, eu torço para o Brasil usando a camisa amarela oficial da SELEÇÃO DO MUNDO(!!!) e com todo aquele ritual domestico-familiar.
Considero muito bonito a paixão que observo, tanto em homens, quanto em mulheres, por seus times e pelo futebol e esporte de um modo geral. Quando ouço os gritos dos vizinhos de "goollll" eu me emociono pois constato que há coisas belas no mundo também. Há leveza, há sorrisos. Por isso que digo que eu não ligo para futebol e esportes em geral, mas acho lindo as pessoas que vibram e torcem por seus times e atletas do coração.
Gosto mais de ouvir as entrevistas dos atletas (que são geralmente repletas de conteúdo) do que assistir as competições.
Tenho verdadeira admiração pelo Garrincha.
O Texto, a Foto e os dois desenhos foram produzidos por Wanderson Silva de Souza. (O "W" tem som de "U")
Todos os direitos, deveres e reclamações estão reservados.
segunda-feira, 14 de junho de 2010
domingo, 13 de junho de 2010
sábado, 12 de junho de 2010
sexta-feira, 11 de junho de 2010
quinta-feira, 10 de junho de 2010
quarta-feira, 9 de junho de 2010
quinta-feira, 3 de junho de 2010
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